Escrito Por
Genevaldo Ferreira
15/04
de 2012
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Para onde Deus virou as costas

Foto: Blog do Josias

 

A continuar essa zorra que aí está, não demorará muito para que se possa afirmar que no Brasi prevalece o "salve-se quem puder".

O senador Demóstenes – falo sobre ele porque é ele a bola da vez – já não tem condições morais para permanecer no cargo, mas insiste em não sair de lá. Com a possível CPI que ameaça ser criada no Congresso para apurar, entre outras possibilidades, o envolvimento de congressistas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, não são negligenciáveis as chances do ex-defensor da moral e da ética na política salvar seu mandato. Acredito nesta hipótese porque também acredito no envolvimento de mais congressistas com o esquema mafioso do bicheiro de Goiás. O que, em se confirmando, levará os partidos a fazerem acordo para salvar os mandatos dos possíveis envolvidos.

Eu iniciei dizendo "zorra" e "salve-se quem puder" porque são, segundo o meu ponto-de-vista, termos apropriados para a realidade do cotidiano da maioria das pessoas que tem alguma forma de poder. A mais recente lamentável notícia é a que dá conta de acusação que recai sobre alguns togados do Rio Grande do Norte, gente graúda da Justiça Potiguar. Estão sendo acusadas de se apropriarem indevidamente de dinheiro alheio. Esta é a mais recente lamentável notícia até o momento em que escrevo, às 21:40 h de quarta-feira, 11/04.

Tenho recebido o apoio de alguns conhecidos e de alguns amigos que lêem os textos no FalAberta. Entre eles, alguns têm dito que sou muito rigoroso nos termos. Para mostrar que não sou insensível aos "feedback" que recebo, vou finalizar este texto sugerindo uma música para quebrar um pouco do rigor.

 

Barracos

(Netinho)

 

Pra quem mora lá no morro
Pra quem vive nas encostas
Onde o diabo faz fogo
Pra onde Deus virou as costas

Pra quem vive na surdina
Onde a luz não ilumina
Onde a morte começa
Aonde a vida termina

Esse barraco vai cair
Eu não me canso de avisar
Ele não tem alvenaria
Não tem coluna pra apoiar

Ai, eu não quero ver o dia
Dessa zorra desabar

Só quem vive nas esquinas
Sem poesia e sem paixão
Sem mel, sem céu, sem sonho
Com o coração na mão

Pra quem tá no fim da fila
Tá num beco sem saída
Tá perdendo a graça
Tá ganhando mais ferida

Esse barraco vai cair
Eu não me canso de avisar
Ele não tem alvenaria
Não tem coluna pra apoiar

Ai, eu não quero ver o dia
Dessa zorra desabar

Oh..Oh..Oh..Oh..Oh..Oh..Oh...Vai desabar...
Oh..Oh..Oh..Oh..Oh..Oh..Oh...Não dá pra viver lá

 

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Escrito Por
Genevaldo Ferreira.
27/08
de 2011
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A instituição da troca de favores

Um dia desses um amigo meu, Maurïlio Cunha, me sugeriu que eu fizesse um texto ressaltando as coisas boas do Brasil. Vou atendê-lo e expor a minha justificativa do porquê dos meus textos serem sempre carregados de muita acidez.

 

São inúmeras as coisas positivas do Brasil: as belezas naturais, as riquezas do sub-solo, as riquezas dos diferentes ecossistemas. Os grandes derbys: Palmeiras X Corinthians; Grêmio X Internacional; Fla X Flu; Cruzeiro X Atlético; o Ba-Vi... O professor às vezes mal remunerado, porém determinado; o bom policial que é colega de infortúnio, não só do bom professor, mas também de todos os bons servidores públicos.

Acontece, porém, meu caro Maurílio, que o destino de todas as coisas positivas do Brasil, está nas mãos dos que ocupam o poder. É sobre essa gente que eu quero falar, é essa gente que eu quero cobrar, quero denunciar.

 

E a maioria dos poderosos do Brasil é composta de mafiosos, quadrilheiros. É um tal de dizer que o poder executivo fica refém dos quadrilheiros do legislativo em nome da governabilidade, que não é possível exercer a Presidência da República sem ceder ao toma lá dá cá. Tratam a governabilidade como mal necessário... Dizem que só é possível governar com a sustentação de uma base aliada composta por parlamentares provindos de muitos partidos. Portanto, o apoio desses partidos se faz em função do toma lá dá cá. Troca de favores que possibilita aos parlamentares cobrarem 'benefícios' do governo em troca de apoio aos seus projetos no Congresso.

Em resumo, os congressistas não têm nenhum comprometimento com a nação, estão no Congresso para defenderem seus próprios interesses e usam os cargos como forma de enriquecimento pessoal. É necessário ressaltar as raras, porém, honradas exceções.

Esta página não foi criada para coadunar com toda essa nojeira que nos causa indignações diariamente, que é a atitude dos poderosos do Brasil. Ao contrário, eu quero é mostrar a minha indignação, o meu descontentamento, a minha repulsa a tudo isto. Refiro à minha página em específico, não ao site FalAberta.com.br, que é um espaço idealizado para debater democraticamente diversos assuntos de diversas correntes de pensamentos.

Veja você, Maurílio, o que foi registrado por um repórter acerca do episódio do uso de um helicóptero pelo tetrapresidente do Senado e ex-presidente da República, Sr. José Sarney:

 

"Em jantar com Dilma, Sarney ‘brinca’ com helicóptero

 

O tetrapresidente do Senado José Sarney frequenta o noticiário em posição incômoda há três dias. Não parece, porém, incomodado. Ao contrário.

Sarney se diverte com o alarido provocado pela revelação de que usou helicóptero do governo do Maranhão em dois passeios à ilha do Curupu, propriedade familiar.

Brincou com o tema na noite passada, durante jantar em que o PMDB homenageou Dilma Rousseff. Iniciativa do vice-presidente Michel Temer.

O encontro levou ao Palácio do Jaburu mais de uma centena de pessoas (leia texto abaixo). Durou pouco menos de duas horas.

Nesse intervalo, jogou-se conversa fora em várias rodinhas. Numa delas, Sarney contou, entre risos, que recebera um telefonema do senador tucano Aécio Neves (MG).

"O Aécio me disse: ‘Quando precisar de helicóptero, é só me ligar que eu arranjo’." Abriram-se sorrisos ao redor de Sarney.

Distante, a homenageada Dilma não ouviu. Mas um auxiliar dela, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), testemunhou o chiste." - Fonte: Blog do Josias.

 

Vale lembrar que o debochado Aécio que agora oferece helicóptero ao Sarney, é o mesmo que foi pego dirigindo embriagado no Rio de Janeiro, meses atrás, e recusou-se a fazer o teste do bafômetro. É nele também que a oposição deposita suas fichas para se opor à candidatura da situação em 2014. Vê-se que não tem situação e oposição no Congresso Nacional, tem sim é jogo de cena e associação para o crime.

Maurílio, dá para acreditar nessa gente, dá para servir refresco para essa cambada? Eu gostaria de deixar o ufanismo falar mais alto do que o patriotismo e fazer somente textos de bajulação, de mimos... Porém, o idealismo e o patriotismo me levam a ser vigilante e cobrar que essa gente poderosa trate o povo bom do Brasil da forma que nós merecemos. Sobretudo, já tem muitos da imprensa que mamam nas tetas do governo, via publicidade institucional, para bajular e para ajudar a amoitar os malfeitores.

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Escrito Por
Genevaldo Ferreira.
04/04
de 2012
0
Cancro da corrupção

A queda da máscara do senador Demóstenes Torres, oposicionista, ferrenho defensor da ética e da moral na política, não causou-me nenhuma surpresa. Surpreso eu fiquei ao ver a reação que isto causou em alguns órgãos da imprensa, que, em alguns artigos expressaram decepção, espanto e todo tipo de demonstração de se estar deparando com alguma coisa que não era previsível. Diante disso, eu pergunto: onde vivem os jornalistas e blogueiros que demonstraram ter se deparado com coisa inimaginável? Vivem numa redoma? Ou são ingênuos a ponto de não supor que ele, o senador em questão, não passa de mais um larápio e usurpador? ...

A mim, isto não provocou nenhuma surpresa. Simplesmente porque eu não acredito nos componentes da classe política brasileira, que fizeram de cargos públicos, em regra, um meio de desviar dinheiro, de utilizar da situação privilegiada que ocupam para favorecer amigos e a si próprios.

Dos pares do senador Demóstenes, entre os 80, eu não preciso mais do que dos dedos de uma mão para contar os homens de bom caráter que estão ocupando uma vaga no Senado Brasileiro. Aliás, utilizando os dedos da mão esquerda do ex-presidente Lula para apontar os homens de bom caráter naquela casa ainda sobra dedo. Estou afirmando que tem gente séria no Senado. Mas, por favor, não me peça para apontar algum. Esses políticos brasileiros, em regra, a massacrante maioria, – certamente ressalvando as exceções – tanto na base aliada quanto na oposição, têm como finalidade desviar dinheiro público valendo-se da pouca-vergonha chamada imunidade parlamentar.

O direito a foro privilegiado, aliado à imunidade parlamentar está dando brecha para que o advogado do senador Demóstenes tente por abaixo as provas colhidas pela Polícia Federal, sob o argumento de que as escutas foram feitas sem autorização do Supremo Tribunal Federal, mesmo que o senador tenha sido pego por coincidência, porque as escutas telefônicas foram autorizadas a fim de investigar o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Povavelmente, o advogado do amigo de Carlinhos não vai obter êxito na empreitada. Não por causa da legislação que é frouxa, e sim por pressão da imprensa. É ridículo saber que temos que conviver com essas aberrações impostas pela Constituição Federal.

Ouvir o discurso do ACM neto cobrando explicações do senador Demóstenes é ridículo ao absurdo. Como pode um cara que é neto e cria política do "Toninho Marvadeza", como era conhecido o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, falar em ética, achar-se em condição de falar em moralidade? Neste mesmo rolo do bicheiro Cachoeira está envolvido o deputado federal Stepan Nercessian, do PPS. Deduzo que não existe situação e oposição na política em âmbito federal. O que existe são oportunistas apropriadores da coisa alheia e que fazem oposição ao desenvolvimento do Brasil.

Fica-me a impressão que existe na política do Brasil dois tipos de ladrão: os que estão roubando porque ocupam cargo... e os que não roubam porque não ocupam cargo... 

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Escrito Por
Genevaldo Ferreira
31/03
de 2012
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Demagogia X cidadania

Thor Batista, filho do homem mais rico do Brasil, Eike Batista, esteve envolvido num acidente automobilístico em uma rodovia de alta velocidade no estado do Rio de Janeiro, no início do mês de março, ocasião em que o carro que guiava bateu em um ciclista e o matou.

Vários fatos chamaram minha atenção naquele episódio. Eike Batista se coloca sempre como um grande nacionalista, só vê qualidades no Brasil sempre que é chamado a dar sua opinião. A razão que o leva a comportar-se dessa forma, deduzo eu, deve ser a posição que ocupa, por ser o dono da maior fortuna do país. Portanto, não ficaria bem se ele fizesse discurso com críticas, ainda que fossem críticas construtivas em relação aos desmandos e ao descaso com que é tratado o cotidiano político brasileiro.

O que tem a ver o descaso e os desmandos da política com o acidente em questão? Eu explico: segundo meu ponto-de-vista, se ao longo de sua existência pós ano 1500, o Brasil tivesse tido, por parte dos governantes, o tratamento que merece uma nação civilizada, acidente como aquele não aconteceria. Não aconteceria porque em nenhum país onde os governantes são chamados à obrigação de exercer mandatos com responsabilidade, se vê ciclista transitando em rodovias de alta velocidade. Não mesmo! Em hipótese alguma! Concluo, portanto, que o acidente em questão só produziu vítimas: o ciclista e o motorista. O culpado é o Estado – em âmbito federal e em âmbito estadual.

Outro fato que chama atenção no acidente em questão é a discussão sobre a possível omissão de socorro por parte do condutor do automóvel. Ok! Perante a legislação brasileira é cabível essa atribuição de culpa ao cidadão... É, porém, inaceitável que os governos municipal, estadual e federal transfiram para os cidadãos a obrigação de prestar socorro quando se veem envolvidos em acidente. É inaceitável por várias razões: quase sempre os envolvidos não têm preparo adequado para atender a quem possa estar ferido, o que pode agravar a situação do acidentado; ao prestar socorro, o causador do acidente fica exposto a retaliações por parte de possíveis revoltados. Em países desenvolvidos o causador de acidente não é obrigado a prestar socorro, embora não possa abandonar o local. Basta alguém acionar, via telefone, os serviços de emergência.

Equivocada também foi a atitude do advogado de Eike Batista de tirar do local o veículo envolvido no acidente antes de ser feito o exame pericial, algo também impensável em países de legislação coerente.

Acredito que seja esta uma grande oportunidade para que o empresário Eike reflita sobre a sua visão a respeito do Brasil. Deveria parar de fazer demagogia e agir em prol de um país decente para que todos os brasileiros possam viver com qualidade. Pois até ele, um bilionário, é vítima da desordem que assola o Brasil. Explico: fosse o Brasil de fato um país que está no rumo certo, o infeliz do ciclista não estaria pedalando numa rodovia de alta velocidade, consequentemente, o herdeiro do bilionário não o teria atropelado e não estaria experimentando o dissabor de ver-se envolvido no incidente e de tornar-se objeto de especulação e escárnio por parte da mídia... O Brasil tem potencial, mas precisa de regras decentes para orientar e proteger seus cidadãos. Porque ter potencial em riquezas difere muito de ser um país socialmente justo.

Provavelmente, se o BNDES fechasse a torneira por onde jorram bilhões de reais para os negócios do Eike Batista, sobrariam recursos para o governo investir em prevenção de acidentes e em atendimento a vítimas de acidentes. Consequentemente, o bilionário em questão passaria a ter uma visão menos demagógica e passaria a fazer críticas pontuais em prol de um Brasil melhor para todos. 

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